Produto mínimo a desenvolver

Posted on 2 de Outubro de 2014 por

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Startup, qual o produto mínimo a desenvolver, imagem de destaque

Startup: qual o produto mínimo a desenvolver?

Tiveste uma ideia para um novo produto, criaste a tua startup, e agora queres saber que produto mínimo tens que desenvolver e testar. Qual deverá ser o “teste” mínimo do teu produto?

Expliquei-te num artigo anterior que é fundamental iniciares as tuas actividades de marketing antes do lançamento do produto. Muitos empreendedores incorrem frequentemente no erro de esperar pelo desenvolvimento integral do produto para iniciarem as actividades de marketing. É exactamente nesse âmbito que tu deves colocar a questão que produto terás que testar. As melhores práticas de desenvolvimento de produto numa startup apontam para o desenvolvimento daquilo que seja necessário para testares no teu produto, e não mais.

Startup: qual o produto mínimo a desenvolver? Negócios rentáveis e Negócios de sucesso

Startup: qual o produto mínimo a desenvolver?

Uma possibilidade, tal como afirma o guru em startups Eric Ries, é testares a “viabilidade” do teu produto. Assim, ele criou um termo muito importante denominado produto mínimo viável (MVP – Minimum Viable Product). Tal como ele afirma num excelente artigo, a ideia de um produto mínimo viável é útil para uma startup porque significa que basicamente podes dizer: “a nossa visão é construir um produto que resolva ESTE problema principal dos nossos clientes e nós pensamos que as primeiras pessoas que o irão usar terão uma EXPERIÊNCIA inesquecível”.

Então, o produto mínimo viável (MVP) é aquele que tem apenas a funcionalidade (e não mais) que permite lançá-lo de modo que seja atractivo para os primeiros clientes (early adopters); alguns dos quais comprarão ou irão dar a sua opinião.

Startup: produto mínimo viável (MVP), Negócios rentáveis e Negócios de sucesso

Startup: produto mínimo viável (MVP)

Por exemplo, se na tua startup quiseres testar o interesse no teu produto, poderás criar uma “landing page” onde poderás medir o CTR (clickthrough rate) e as “conversões” (ex. subscrições). Adicionalmente poderás fixar um preço e verificar como isso afecta o interesse das pessoas interessadas.

A viabilidade é certamente uma variável que deves testar, mas um outro conceito relacionado (e sobreposto) a este é testares a desejabilidade do teu produto. Como descrevi no artigo 5 erros a evitar numa startup, geralmente uma startup não falha ao nível da oferta de produtos ou serviços, falha na aquisição de clientes. Isto é, falha precisamente no teste da desejabilidade. Vou explicar-te a seguir o que significa este conceito.

Viabilidade, Exequibilidade, Desejabilidade

Antes de explicar-te o conceito de desejabilidade, é importante que tenhas presente que geralmente as empresas, em particular as startups, desenvolvem produtos seguindo caminhos diferentes. Podem colocar o focos na viabilidade (negócio), ou na exequibilidade (engenharia), ou na desejabilidade (cliente).

Uma startup orientada para o negócio poderá testar a viabilidade pensando em métricas, volume de negócio e tamanho do mercado. Uma organização orientada para a exequibilidade poderá testar uma tecnologia nova, e depois tentará criar um negócio à volta disso. Já uma empresa focada na desejabilidade poderá concentrar-se no cliente-alvo, no seu contexto e no seu comportamento, e posteriormente criar uma experiência de produto.

Então, o produto mínimo viável (MVP, minimum viable product) tende a centrar-se na perspectiva do negócio – isto é, a startup quererá colocar a seguinte questão: que produto mínimo tenho eu que criar para saber se existe ou não negócio? Tu poderás realizar o teste criando uma “landing page” de subscrição, poderás tentar vender o produto ainda antes dele existir, etc. Se colocares um preço e recolheres informação de pagamentos, poderás obter informação importante e encorajadora, porque poderás confirmar a viabilidade do produto.

Agora, por outro lado, o produto mínimo exequível (MFP, minimum feasible product) centrar-se-à na componente técnica. Por exemplo, uma empresa farmacêutica que desenvolve um novo medicamento para combater o cancro, estará focada na eficácia do novo medicamente. Não estará focada na viabilidade ou na desejabilidade, porque claramente curar o cancro é algo desejado por todos e tem um mercado enorme. Assim, produto mínimo exequível (MFP, minimum feasible product ) será o produto mínimo necessário para passar o teste da exequibilidade num ambiente “laboratorial”.

Mas, existe ainda uma outra perspectiva. Se a tua startup tem uma perspectiva centrada no cliente, nesse caso desejarás criar o produto mínimo desejável (MDP – minimim desirable product). Embora possa parecer que a diferença em relação ao produto mínimo viável é subtil, na realidade tem grandes implicações. Um MDP focar-se-à principalmente na capacidade da tua startup em oferecer uma excelente experiência de produto e criar valor para o utilizador final.

Assim, vou definir o que se entende por MDP.

Produto mínimo desejável (MDP) é aquele que oferece aos seus utilizadores a experiência mais simples de modo a provar o seu valor acrescentado e em satisfazer a experiência de produto, ou seja, o produto mais simples que oferece o melhor enquadramento produto/mercado.

Para criares um MDP, a tua startup terá que construir e entregar um produto que os clientes possam avaliar completamente – não poderás simplesmente fornecer uma “landing page”, como no caso anterior. Em vez de medires as taxas de conversão ou o volume de vendas gerado, terás que medir os benefícios que estás a oferecer aos utilizadores.

Tu como empreendedor sabes que um dos maiores desafios é a transformação das tuas ideias em negócios rentáveis, em que um dos passos cruciais é o teste do teu novo produto. Num artigo anterior apresentei-te a fórmula para negócios de sucesso e como podes crescer a tua startup. Ai vimos o estudo de caso (case-study) da Facebook e como eles conseguiram crescer de forma contínua e sustentada o número activo de utilizadores. É um exemplo excepcional de como criar um produto mínimo desejável (MDP).

Exemplos de MVP e MDP

Vou dar-te alguns exemplos de produtos que poderão ser MVP, mas provavelmente não serão MDP, e vice-versa:

  • Quando a tua startup cria uma rede social realmente viral e bastante rentável, mas que tem uma alta taxa de abandono – tu estarás a criar um MVP, mas não um MDP.
  • Se o teu website de encontros for rentável, pois atrai centenas de utilizadores que pagam uma subscrição de 10€/mês, mas que, ao contrário do que foi prometido aos seus utilizadores, não oferece bons encontros – tu estarás a criar um MDP, mas não um MVP.
  • Se a tua startup é capaz de criar uma caixa mágica que cospe dinheiro sempre que carregas num botão, então este será certamente um produto desejável, mas não é com certeza viável de todo, isto é, será MDP, mas não é MVP.
  • Se criares um jogo fantástico que os teus familiares e amigos adoram, mas não há nenhum distribuidor interessado na comercialização do jogo – tu estarás a criar um MDP, mas não um MVP.
  • E ainda, se a tua startup tiver um website com mais de 20 milhões de utilizadores por mês, onde as pessoas podem partilhar informação, provavelmente terás criado um produto que passou o teste da desejabilidade, mas não o teste da viabilidade, ou seja será MDP, mas não é MVP.

Será que a desejabilidade é mais importante para os consumidores da tua startup?

Eu coloco esta questão porque constato que geralmente uma startup da internet não se preocupa com a viabilidade do negócio no curto-prazo. Se a tua startup na internet deseja ser grande e viral, apenas quererás que cresça rapidamente! Quanto mais cedo, melhor! Como resultado, o teu objectivo será atingir o mais cedo possível o melhor enquadramento produto/mercado, e pensar no modelo de negócio mais tarde.

Similarmente, o risco principal de uma startup da internet, tende a não ser de natureza técnica ou de execução – geralmente tende a ser um risco de mercado. Esse risco poderá manifestar-se se a startup não revelar valor suficiente para os utilizadores, ou se o mercado não for suficientemente grande. Essas são questões que terão que ser respondidas baseadas puramente com o focos na desejabilidade.

E a tua startup de que tipo é, MVP ou MDP? Partilha a tua experiência no desenvolvimento do produto mínimo que tens que testar. Será que me esqueci de algum ponto importante?

Carlos Rodrigues

Director de Marketing / Gestor de Marketing Digital

© Marketing Digital Portugal, Leiria

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Posted in: Empreendedorismo